domingo, janeiro 26, 2025

Preciso parir palavras. Onde o rasgo vira poesia... Será que ainda sei?

sábado, fevereiro 10, 2007

"o calor das cobertas
não me aquece direito

não há nada no mundo
que possa afastar esse frio do meu peito"

:(

sábado, junho 10, 2006

Namorar tem gosto de pêra. Saudade tem gosto de cebola crua.

quarta-feira, junho 07, 2006





A voz se cala. Passos ameaçam se perder no meio da estrada. O que terá após a curva? Os ruídos irritam a alma amedrontada.
Não, não me pergunte sobre essa dor. Agora os barulhos impregnam o espaço e fico com o desejo de parar esse tempo que foge. Passou... Até quando? Não, não é eterno. Até quando é que eu não sei. Isso corta, corta e corta. O sangue eu nem quero ver. Que parte me cabe nesse mundo de astrais brilhantes? Que parte me cabe nessa terra de pedra e osso? Devaneios perdidos num olhar melancólico. Sem mais.

terça-feira, abril 25, 2006

o rei mandou dizer que você já não gosta tanto assim.
que a vontade de cuidar sem limites foi pro beléléu.
o rei mandou dizer que eu estou triste. que dói tudo.
mandou dizer que eu descobri que estou com medo de te perder.
o rei estranha toda essa mudança de humor, assim de repente.
mas o rei já sabia que iria ser difícil:
murmurava sempre no meu ouvido que eu nunca soube lidar com as pessoas.
a babaca.

ops! o rei mandou eu não ficar me anulando.
não merece, né? o outro...
poxa, seu rei... por que a gente se submete tanto por amor, hein?
por que nos pisam e a gente continua lá?
por que o medo todo?
a insegurança parece sim maior que eu.
e não é?
não, certo?
acho que ouço o rei mandar dizer que eu não posso baixar a cabeça.
passa que nem uva-passa?
Meu catavento tem dentro o que há do lado de fora do teu girassol
Entre o escancaro e o contido,
eu te pedi sustenido e você riu bemol
Você só pensa no espaço,
eu exigi duração
Eu sou um gato de subúrbio,
você é litorânea
Quando eu respeito os sinais vejo você de patins
vindo na contramão
Mas quando ataco de macho,
você se faz de capacho e não quer confusão
Nenhum dos dois se entrega,
nós não ouvimos conselho
Eu sou você que se vai no sumidouro do espelho
Eu sou do Engenho de Dentro e você vive no vento do Arpoador
Eu tenho um jeito arredio e você é expansiva, o inseto e a flor
Um torce pra Mia Farrow, o outro é Woody Allen
Quando assovio uma seresta, você dança havaiana
Eu vou de tênis e jeans, encontro você demais, scarpin, soiré
Quando o pau quebra na esquina, cê ataca de fina e me ofende em inglês
É fuck you, bate bronha e ninguém mete o bedelho
Você sou eu que me vou no sumidouro do espelho
A paz é feita num motel de alma lavada e passada
Pra descobrir logo depois que não serviu pra nada
Nos dias de carnaval aumentam os desenganos
Você vai pra Parati e eu pro Cacique de Ramos
Meu catavento tem dentro o vento escancarado do Arpoador
Teu girassol tem de fora o escondido do Engenho de Dentro da flor
Eu sinto muita saudade, você é contemporânea
Eu penso em tudo quanto faço, você é tão espontânea
Sei que um depende do outro só pra ser diferente, pra se completar
Sei que um se afasta do outro, no sufoco, somente pra se aproximar
Cê tem um jeito verde de ser e eu sou meio vermelho
Mas os dois juntos se vão no sumidouro do espelho
(Guinga e Aldir Blanc)

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Há incômodos que prendem os nossos pés no chão nos momentos em que eles mais queriam levitar. Principalmente quando tudo dentro de uma relação se mostra sendo tomada por uma onda de “achismos”. “Eu acho que sinto isso” ou “eu acho que o que está rolando é aquilo”... E nós ficamos tais quais uns loucos procurando a segurança que só um “É de fato” pode proporcionar. Vasculhamos debaixo do tapete, dentro do armário do banheiro, por detrás dos nossos travesseiros com nossos cheiros misturados... E nada! Por todos os cômodos da casa e dos lugares que passamos, estão estampados cartazes das meias-certezas. Parecendo zombar das nossas fragilidades.
Para nós, de almas deveras extremistas e ansiosas, não existe coisa pior. Vem uma vontade de chutar o pau da barraca e dar um basta. E esquecemos que as relações não vêm com bula nem horário definido para o efeito dos sintomas.

terça-feira, dezembro 27, 2005

(...)

Se eu nem sei onde estou,
como posso esperar que algum ouvido me escute?

Ah! Se eu nem sei quem sou,
como posso esperar que venha alguém gostar de mim?

Cecília Meireles

segunda-feira, novembro 07, 2005

Algo bem chato mesmo é tentar controlar a ansiedade. Mais chato ainda é a sensação das expectativas frustradas. Quando você mal pode conter na expressão facial a alegria por ter uma mão para segurar com força, a bomba explode bem em cima da sua cabeça e o sorriso se esvai num passe de mágicas. E então você bate milhares de vezes sua cabeça na parede, querendo gritar o quanto está se achando uma burra. É, não deu. Agora senta e chora. Não sabe por que se deixou levar tanto ou qual motivo teve para acreditar que poderia tirar seus pés do chão antes da hora. Agora você está aí cheia de planos acumulados sem saber o que fazer com eles. O jeito é procurar uma caixinha do tamanho da sua decepção e depositar o que não é mais útil – não esqueça de todo esse sentimento de culpa e cobrança. Depois queime. Queime tudo. Deixe o fogo corroer e destruir. Ainda que pareça tolo e nem seja tão forte assim. Alguns dias vão passar e daqui a pouco você nem lembra mais, acredite. O prazo de validade expirou. Não se alimente mais do estragado.